Maranhão

Palácio dos Leões: história, quem mora e como visitar em São Luís

A sede do governo do Maranhão fica no ponto onde os franceses ergueram um forte em 1612. Conheça a história do Palácio dos Leões, a origem do nome e como visitar.

Luisinho Drummond

02 de novembro de 2026 · 5 min de leitura

Palácio dos Leões: história, quem mora e como visitar em São Luís

Resposta rápida: o Palácio dos Leões é a sede do governo do Maranhão e a residência oficial do governador, na Avenida Dom Pedro II, no Centro Histórico de São Luís. Fica no lugar do forte francês de 1612, e o prédio atual nasceu de uma reconstrução concluída em 1776. Uma ala funciona como museu gratuito, mas em novembro de 2026 ele seguia fechado, ainda sem data para reabrir.

Poucos prédios no Brasil contam tanta história de um mesmo ponto do mapa. Do alto de um promontório, de frente para o mar e junto à foz dos rios Anil e Bacanga, quem ocupou este lugar controlou a entrada da ilha. Há mais de 400 anos ele é sede de governo, seja qual for a bandeira.

Do forte francês ao palácio

A história começa em 1612, quando a expedição de Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière, fundou a França Equinocial e ergueu o Forte de São Luís, batizado em homenagem ao rei Luís XIII. A construção era simples, de madeira e terra.

Em 1615, os portugueses tomaram a cidade, e o forte passou a se chamar São Felipe. Ainda no século XVII, foi refeito em pedra e cal e serviu de moradia e local de despacho dos governantes.

O palácio como o conhecemos vem depois. Em 1766, o governador Joaquim de Melo e Póvoas mandou demolir o prédio antigo e erguer um novo, e a obra terminou em 1776. É por isso que "construído em 1612", frase comum em guias de viagem, não é exato: 1612 é a data do forte, não do edifício atual.

As reformas que deram a cara de hoje

O prédio mudou muito desde então. Os principais marcos:

  • 1857: a entrada principal foi deslocada para o centro da fachada.
  • 1863: chegaram a iluminação a gás e o calçamento em cantaria portuguesa.
  • 1906: o governador Benedito Leite construiu a ala dos fundos, destinada à residência, e trouxe móveis e objetos decorativos da Europa.
  • 1926: uma nova reforma, no governo de Magalhães de Almeida, deu ao palácio boa parte da imponência atual.
  • Anos 1990 e 2000: cupins e infiltrações levaram a um projeto de recuperação dos arquitetos Acácio Gil Borsoi e Janete Costa.

Por que "dos Leões"?

Há duas explicações, e elas não se excluem.

A primeira está nas próprias estátuas. Segundo um estudo publicado pela UFMA, são oito leões de bronze, encomendados à fundição escocesa Saracen no governo de Magalhães de Almeida (1926-1929): dois no pátio interno, quatro no muro do portão lateral e dois na entrada da frente. Antes deles, os leões eram pintados em azulejos.

A segunda é política. O jornal O Imparcial conta que a fachada trazia um brasão com dois leões e que um jornal de oposição, O Combate, passou a usar a imagem com ironia. O apelido pegou, e a população e os governantes seguintes o adotaram.

Um jardim de Burle Marx

Pouca gente sabe, mas o jardim do palácio teve projeto de Roberto Burle Marx, um dos maiores paisagistas do século XX. Ele desenhou o jardim em 1968, com tanques para plantas aquáticas e espelhos d'água, e voltou em 1973 para concluí-lo.

A reforma dos anos 1990 mudou esse desenho: uma piscina ocupou o lugar de um dos tanques, e várias plantas saíram. A pesquisadora Barbara Prado, da UEMA, defende a recuperação do projeto original, ainda hoje pouco divulgado.

O que há lá dentro

O Instituto Brasileiro de Museus descreve salões nobres com obras dos séculos XV ao XX: mobiliário, telas, porcelanas, esculturas, pratarias e gravuras. O acervo inclui a pinacoteca Arthur Azevedo, com obras de Victor Meirelles e Antônio Parreiras. Parte das coleções pode ser vista no acervo digital do palácio.

Quem mora no Palácio dos Leões?

O governador do Maranhão. O prédio reúne o gabinete do Poder Executivo estadual e a residência oficial, e só uma ala é aberta ao público. Por isso o nome também virou sinônimo do próprio governo na imprensa maranhense: "a disputa pelo Palácio dos Leões" quer dizer a eleição para governador.

Não confunda com o Palácio dos Leões de Imperatriz, inaugurado em julho de 2026 como centro administrativo do governo estadual na Região Tocantina. A sede histórica é a de São Luís.

Como visitar (e se está aberto)

A visita é ao Museu do Palácio dos Leões, e a entrada é gratuita. Em novembro de 2026, o museu está fechado. O perfil oficial, o @museudopalaciodosleoes, informa que as atividades estão "temporariamente suspensas". O museu reabriu em junho de 2024, depois de nove meses de reforma, mas em julho de 2025 avisou que as atividades seguiam suspensas por tempo indeterminado. Em 2026, passou por novas obras de melhoria e restauro, com previsão de retorno no segundo semestre, mas ainda sem data anunciada.

Antes de ir, confirme no Instagram do museu, que promete avisar ali quando reabrir, ou pelo telefone (98) 3232-9789. Algumas páginas ainda mostram o museu como aberto, inclusive páginas oficiais.

Quando aberto, o funcionamento informado pelo governo é este:

  • Horário: terças, das 10h às 17h; de quarta a domingo, das 9h às 17h.
  • Segundas: fechado.
  • Grupos de mais de 10 pessoas e escolas: precisam agendar.
  • Endereço: Avenida Dom Pedro II, Centro, São Luís.

Mesmo com o museu fechado, vale o passeio. A fachada, os leões da entrada e a vista da Baía de São Marcos estão à disposição de quem passa pela praça, e o Palácio de La Ravardière, sede da prefeitura, fica ao lado.

Parte de um patrimônio mundial

O palácio está no coração do conjunto histórico de São Luís, tombado pelo Iphan em 1974. Em dezembro de 1997, o Centro Histórico recebeu da Unesco o título de Patrimônio Mundial.

Resumo

  • É a sede do governo do Maranhão e a residência oficial do governador.
  • O forte é de 1612; o palácio atual foi reconstruído entre 1766 e 1776.
  • O nome vem dos leões do brasão, depois feitos em bronze, e de um apelido popularizado pela imprensa.
  • O jardim teve projeto de Burle Marx, em 1968 e 1973.
  • O museu é gratuito, mas estava fechado em novembro de 2026: confirme antes de ir.

A ProsperoJus tem escritório em São Luís e trabalha com precatórios, as dívidas que o poder público tem com quem ganhou uma ação na Justiça. Se você tem um crédito contra o Estado do Maranhão, entenda como funciona a fila no Maranhão ou fale com a gente pelo WhatsApp.

A imagem de capa é uma ilustração gerada por inteligência artificial, não uma fotografia do palácio.

Escrito por

Luisinho Drummond

Escreve sobre precatórios e direito financeiro na ProsperoJus, com foco em informação clara e confiável para quem tem um precatório a receber.

Tem um precatório?

Fale com um consultor agora

Tire suas dúvidas sem compromisso. Explicamos tudo sobre a venda do seu precatório de forma clara e rápida.

Falar com um consultor

Continue lendo

Falar no WhatsApp