Precatórios

RPV ou precatório: qual é a diferença e qual é o seu caso?

RPV e precatório são formas distintas de pagamento de dívidas do poder público. Entenda as diferenças de valor, prazo e fila para saber em qual situação você se enquadra.

Luisinho Drummond

22 de abril de 2025 · 6 min de leitura
Atualizado em 06 de outubro de 2026

RPV ou precatório: qual é a diferença e qual é o seu caso?

Resposta rápida: a diferença está no valor. Condenações do poder público até o teto de pequeno valor são pagas por RPV, fora da fila dos precatórios — na esfera federal, até 60 salários mínimos (R$ 97.260,00 em 2026), em até 60 dias. Acima do teto, o pagamento sai por precatório, que segue ordem cronológica e depende do orçamento do devedor.

Quando você ganha uma ação contra um órgão público, a forma como o pagamento será feito depende do valor da condenação. Pode ser por RPV (Requisição de Pequeno Valor) ou por precatório. Entender a diferença é essencial para saber o que esperar.

O que é RPV

RPV significa Requisição de Pequeno Valor. É a modalidade utilizada quando o valor da condenação fica dentro do teto estabelecido por lei para cada esfera do poder público (federal, estadual ou municipal). O art. 100, § 3º, da Constituição dispensa essas obrigações de pequeno valor da fila dos precatórios.

Por ser de pequeno valor, a RPV tem um trâmite mais simples e é paga com maior rapidez. Na esfera federal, a Lei 10.259/2001 manda pagar em até 60 dias, contados da entrega da requisição. No Maranhão, nas ações da Justiça estadual, a ordem de pagamento da RPV é enviada pelo juiz diretamente ao ente devedor, sem passar pelo Tribunal de Justiça.

O que é precatório

Precatório é a ordem de pagamento utilizada para condenações que superam o teto da RPV. Como os valores são maiores, a Constituição determina um rito próprio: os pagamentos entram no orçamento público de forma planejada, seguindo uma fila cronológica. Para uma visão geral, veja o que é um precatório.

O que conta para a fila é a data de apresentação, ou seja, o dia em que o precatório chega ao tribunal. Desde a Emenda Constitucional 136/2025, os precatórios apresentados até 1º de fevereiro entram no orçamento do ano seguinte e devem ser pagos até o fim desse ano. Um precatório apresentado até 1º/02/2026 entra no orçamento de 2027; um apresentado em 2/02/2026, no de 2028. O pagamento efetivo, porém, depende da capacidade fiscal do ente e da posição na fila.

Principais diferenças

Comparação rápida

  • Teto: a RPV vai até o teto de pequeno valor do devedor (60 salários mínimos na esfera federal); o precatório, acima dele.
  • Prazo: a RPV federal é paga em até 60 dias da requisição; o precatório apresentado até 1º de fevereiro deve ser pago até o fim do ano seguinte, mas na prática pode levar anos.
  • Fila: a RPV não entra na fila dos precatórios; o precatório segue a ordem cronológica, com preferência para créditos alimentares e superpreferência para idosos, pessoas com doença grave e pessoas com deficiência.

Teto de valor

  • RPV: na Justiça Federal, o teto é de 60 salários mínimos (Lei 10.259/2001) — R$ 97.260,00 em 2026, com o salário mínimo de R$ 1.621,00. Na esfera estadual e municipal, cada ente fixa o próprio teto por lei, de acordo com sua capacidade econômica, sem ficar abaixo do maior benefício pago pelo regime geral da Previdência (INSS). Enquanto o ente não tiver lei própria, valem 40 salários mínimos (R$ 64.840,00) para estados e Distrito Federal e 30 salários mínimos (R$ 48.630,00) para municípios, pelo art. 87 do ADCT. Não há um teto único: o limite que vale no seu caso depende de qual ente é o devedor.
  • Precatório: qualquer condenação que ultrapasse o teto da RPV aplicável ao caso.

Se a condenação for maior que o teto, você pode renunciar ao excedente e receber o restante por RPV — mas isso implica abrir mão de parte do valor. O caminho inverso não é permitido: a Constituição proíbe dividir o valor da execução para encaixar uma parte dele no teto da RPV.

Prazo de pagamento

  • RPV: na esfera federal, até 60 dias após a entrega da requisição. Nas demais esferas, também é paga fora da fila e costuma ser bem mais rápida que o precatório.
  • Precatório: segue a fila constitucional, com previsão de pagamento até o fim do ano seguinte ao da apresentação. Estados e municípios, porém, pagam dentro de limites anuais — entre 1% e 5% da receita corrente líquida desde a EC 136/2025 — e o prazo efetivo pode se estender por anos dependendo do ente devedor. Veja quanto tempo leva para receber um precatório.

Fila

  • RPV: não entra na fila cronológica dos precatórios; o pagamento é processado de forma mais direta.
  • Precatório: existe uma ordem cronológica rigorosa — quem tem o precatório apresentado primeiro recebe primeiro. Dentro dela, os créditos alimentares (salários, aposentadorias, pensões, benefícios previdenciários) têm preferência sobre os comuns. E titulares de crédito alimentar com 60 anos ou mais, com doença grave ou com deficiência recebem antes uma parcela de até três vezes o teto da RPV — até cinco vezes quando o devedor está no regime especial, caso do Estado do Maranhão e do Município de São Luís. Saiba quem tem prioridade na fila do precatório.

Como identificar se o seu caso é RPV ou precatório

Na prática, a distinção fica clara em duas situações:

  1. O ofício/requisição já foi expedido. O próprio documento emitido pelo juízo informa expressamente se trata de RPV ou precatório. Verifique nos autos ou com o seu advogado.
  2. O processo ainda está em fase de liquidação. Compare o valor bruto da condenação com o teto de RPV do ente devedor: se o valor ficar abaixo do teto, a tendência é seguir o rito de RPV; se ultrapassar, será precatório. Lembre-se de verificar o teto correto — federal, estadual ou municipal — conforme quem é o réu.

Se já é precatório, dá para acompanhar a posição na fila: cada tribunal é obrigado a publicar a lista cronológica com o número, a natureza, a posição e o valor de cada precatório, sem o nome do credor (Resolução 303/2019 do CNJ, art. 12). No Maranhão, o TJMA publica listas separadas para o Estado, para São Luís e para os demais municípios e entes; procure pelo número do seu precatório na lista do seu devedor.

Resumo

  • RPV: para valores até o teto de pequeno valor — 60 salários mínimos na esfera federal; nos estados e municípios, o teto da lei local ou, na falta dela, 40 e 30 salários mínimos. É paga fora da fila e, na esfera federal, em até 60 dias.
  • Precatório: para valores acima do teto, pago em ordem cronológica; o apresentado até 1º de fevereiro entra no orçamento do ano seguinte.
  • Se você já tem um precatório em fila e prefere receber à vista com desconto, a cessão de crédito é uma alternativa legalmente prevista.

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Escrito por

Luisinho Drummond

Escreve sobre precatórios e direito financeiro na ProsperoJus, com foco em informação clara e confiável para quem tem um precatório a receber.

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